sobre algumas pequenas coisas que as vezes precisam ser lembradas


como por exemplo a impossibilidade de se acostumar com o amargo, depois de já ter provado o doce. ou sobre a fogueira, a floresta e a incompatibilidade das línguas que de alguma maneira se faziam compreendidas.
sobre o lugar mágico em cima da montanha, sobre a noite em que a terra parou, sobre a loucura em sua forma mais sólida e absurda. Sobre uma cidadã do mundo, sobre velhos trens e grandes janelas por onde o sol entra iluminando a poeira que parece estar lá desde sempre. Sobre conseguir escutar só o silêncio, no meio de uma multidão. Sobre descobrir a alegria e a fragilidade da vida quase que simultâneamente.
Sobre de alguma maneira por uma noite que seja, perceber um mundo escondido, que não é possível ser aquele mesmo mundo que agente já viu antes. Cheirar o som, ouvir o cheiro, ver o vento, ouvir a cor, ver a música, correr a música..
Sobre pequenas revoluções, sobre estar anestesiada, anestesiada e invadida por uma felicidade tão grande, tão monstruosa que é impossível de aguentar. Felicidade por descobrir que não, a vida não precisa ser daquele jeito não.. mentiram pra nós. Existem outras possibilidades, existem outros caminhos. O corpo inteiro parece que vai explodir em um grande saco de confetes. Então grita, e corre a praia inteira, pra ver se toda essa felicidade maluca consegue sair de si.