
Hoje me ocorreu algo muito estranho. Entre um gole de café gelado e uma tragada amarga do cigarro matutino eu pensei em você. Estranho porque não acontecia a um certo tempo, essa atividade bizarra de pensar em você. Costumava ser tão comum como escovar os dentes, ou amarrar os sapatos, ou até mesmo como respirar. Pensar em você acontecia na mesma freqüência em que o ar entra pelas narinas. Até que um dia desapareceu e hoje então pensei em você como se estivesse tendo algum deja vu bizarro, refazendo um caminho que costumava ser rotineiro.
De uma maneira a princípio desconfortável - alguns sorrisos convenientes, perguntas corriqueiras, gotas de suor nas palmas das mãos. Entretando o pensamento logo se fez em casa - acho seu lugar, acomodou-se no sofá deitando- se de meias e ligando a tv. é assim que acontece quando trombamos antigas partes que um dia já nos pertenceram. E com este minúsculo pensamento não havia de ser diferente.
Como um câncer, o vácuo entre o café e o cigarro se espalhou, Remexendo toda a poeira velha que assentada a tempos se acostumava com o seu estado de inércia. Poeira velha serve para sujar e fazer espirrar. nada mais.
E de todo o reconhecimento de antigas sensações, toques, peles, lágrimas e beijos entre dois desconhecidos só restou uma conversa noturna em um dia de chuva fria.
-Eu gosto de você porque você não é normal
-E isso é bom?
- é. Isso é bom.