a foto é minha, o desenho da Larice Barbosa
Eu preciso parar com essa mania de fugir para os lugares.
é que parece ser mais forte do que eu. essa sensação louca de inconstância que acontece periodicamente, e que grita dentro do peito.
é a eterna necessidade de sempre querer mudar, e se transpor para espaços aonde os referenciais de sempre não existam. E ai então agente pode ser aquilo o que quiser, fotografar quem quiser, gritar o que quiser, ir e vir quando quiser.
É um sentimento completamente equivocado, eu sei. Mas na cabeça funciona desta maneira - os meus referenciais ao longo dos anos me fizeram criar uma projeção de mim mesma para o mundo lá fora. E a partir do momento em que todo o universo comum do dia-a-dia não exite mais, o padrão de comportamento pré estabelecido, as frases feitas, os caminhos de sempre - também são quebrados. E é ai que vem uma das melhores e mais tenebrosas sensações que existem; a de se perceber sozinho, consigo mesmo.
e como é lindo isso.
Parece que todas as minhas partículas gritam e espreitam ansiosas pelo próximo momento, e o próximo e o que virá depois. Na esperança de achar. achar aquela minúscula fatia que falta e parece que sempre faltou a vida inteira.
(o meu corpo inteiro é um desassossego só).
