sobre achados humanos, trocas e outras coisas mais.


quem fotografa tem um pouco disso,
esse interesse abrupto por registrar desconhecidos nas ruas,
foi assim que comecei o projeto Achados Humanos, e depois de muito tempo comecei a refletir sobre os porquês de certas coisas.
o meu interesse por essas pessoas é puramente imagético.
não quero saber sobre suas vidas, o que fazem ou o que são.  quero apenas um bom e inexpressivo retrato - aonde aquele que esta sendo fotografado fite as lentes da câmera sem esboçar reação nenhuma - assim tenho a falsa sensação de que estou capturando a sua essência.
sou egoísta.
tenho medo de me frustrar, e perder o interesse pelas pessoas depois de uma conversa - pois ai, não existe mais alegoria, mistério e especulação. a imagem acaba se tornando uma extensão do discurso do retratado, daquilo o que ele é ou tenta ser.

Agente sempre acha que vai obter epifanias da fala dos outros, de quem não partilha do mesmo modo de vida que o nosso - Como se uma senhorinha moribunda no interior da paraíba soubesse todas as respostas da vida.

mas será que sabe?

é uma eterna busca, essa é a realidade.
o fotógrafo muitas vezes age como um parasita. consegue aquilo o que quer e vai embora.


o que eu aprendi nesses últimos tempos é simples: tem que ser uma troca, do contrário não vale a pena.