memórias inventadas. bororé. 2012
conversamos com esse casal muito pouco.
eles cuidavam de todos os cachorros que achavam pelas ruas e abriram a porta para nos deixar fotografar.
no fundo da sua casa, havia uma entradinha pequena para o rio.
ele as vezes pescava por lá
ela não.
não tivemos um envolvimento, não houve trocas.
me senti invadindo a casa de alguém sem pedir licença. provocando desconforto.
não estavam acostumados com câmeras.
essa foi uma das únicas imagens que eu fiz, e apesar de ter estado lá e saber como realmente foi, essa foto me remete a outras coisas, a outras sensações.
é como se estivesse olhando para essa mulher e esse homem pela primeira vez.
é a eterna sensação de que o objeto fotografado está lá para satisfazer nosso olhar e depois desaparecer.
o que estamos esquecendo, afinal?
