
Eu e São Paulo temos um relacionamento complexo. Como dois namorados adolescentes transitando entre o amor e o ódio, a risada e o tapa, o tédio e a euforia. Tudo junto ao mesmo tempo, com muita fumaça, muitas gotículas de água escorrendo pela janela de um carro, muitos passos e sons. E por mais prejudicial que possa ser, não da mais para se livrar. São Paulo impregna o corpo todo, a cabeça inteira, os olhos, a boca. Enche os pensamentos até a borda e então tudo vaza para uma válvula de escape qualquer. Agente se acostuma e passa a enxergar o caos como poesia, e a movimentação própria de uma cidade errante como beleza. As vezes eu te odeio cidade podre! mas logo esqueço como e quando porque eu não sei mais aonde eu termino e você começa.