O segundo é algo que sempre me intrigou muito.Como uma parcela alheia do mundo, uma fatia do universo que caminha em sentido oposto ao tempo convencional que consegue mudar todo o resto de minutos, horas e dias.
E na fotografia, mais do que o equipamento caro, o planejamento e a elaboração está o segundo. é ele a nuance necessária entre o ordinário e o algo mais.
O segundo é aquele homem de bicicleta que passou ao fundo sem querer, é um sorriso de relance, um beijo no meio da multidão distraida, um raio de sol que tímido consegue escapar de uma núvem cinza carregada de água. Uma poça, um reflexo, um tiro, um olhar.
Um segundo é um olhar debochado que uma criança qualquer lança pela janela de uma casa sem reboco . é a sua mão que repousa sem pressa na beirada, ou que descansa sobre o seu queixo. é o seu meio sorriso que parece conter o maior segredo da humanidade.
Um segundo é a fatia de tempo em que o objeto fotografado parece estar fotografando o fotógrafo, só que sem câmera alguma, e que faz as pernas tremerem a as mãos balançarem pelo medo constante de se deixar passar. O segundo é por fim o alívio que segue a mão que solta o botão de disparo. Alívio que logo será substituído por mais uma angústia vinda do próximo segundo.